>>2155Tri Repetae.
Eu gosto de Autechre, se bem que nos últimos lançamentos eles têm ficado cada vez mais 'obscuros'; não tenho prestado muita atenção. Acho que eles já se estão é um bocado a cagar e limitam-se a meter qualquer merda cá fora. Mas eles sabem bem o que fazem. Talvez estejam a testar os limites da aceitabilidade da Warp.
Um pouco como o Tom Jenkinson (Squarepusher). O Tom é um tipo que fez coisas enquanto jovem a roçar o impossível (manipulação e sequenciação dos breaks). Como é que um tipo consegue reinventar-se à medida que envelhece quando bateu no topo quando era novo? É algo difícil.
Autechre, Squarepusher, Aphex Twin, Plaid, Boards Of Canada, são tudo projectos de pessoas que fizeram muita coisa boa quando eram novos e chegaram àquela idade em que já começa a ser arriscado começar a entrar por terrenos nunca visitados. Acabam por correr o risco de destruir o legado e a imagem construída. Boards Of Canada, por exemplo, de originais na altura, hoje em dia o que não falta é clones. Aliás, há clones bem melhores que BOC, o que chega a ser ridículo.
Não sei se conheces Plaid, mas caso não conheças, investiga. Mas começa sempre a ouvir a discografia de forma diacrónica (deles e de qualquer artista). Eles nos últimos lançamentos também não têm sido muito felizes. Desse grupo mencionado, são, porventura, os mais melódicos.
Eu oiço (ou melhor, ouvia) muita música, mas raramente oiço um álbum x e x seguidas; e durante muito tempo não oiço nada de um determinado artista. Por exemplo, fui agora à minha conta no Last FM e reparei que a última vez que ouvi Depeche Mode foi em 2017. E é uma banda incontornável da minha infância / adolescência. Violator, Songs Of Faith And Devotion, e o Ultra estiveram meses e meses na minha aparelhagem / discman quando era puto.
É um pouco deprimente ouvir música hoje em dia. Sobretudo, se gostas mesmo de música (múltiplos géneros
). Eu quando tinha 12/13 anos já era dono de uns 300 CDs. Tudo o que me davam no Natal ou anos (dinheiro), eu arrebentava em lojas de CDs. E um CD durava-te meses e meses nas mãos. Tu ouvias aquilo durante semanas (e meses) até comprares mais. E depois tentavas procurar música através de referências entre bandas nos booklets dos CDs ou lista de produtores/editoras. Estamos a falar de uma era em que não existia net; tudo o que sabias era de boca a boca ou através de revistas. Foi uma era engraçada. Quem nasceu em 80's ainda teve possibilidade de viver essa fase.